segunda-feira, 9 de maio de 2016

Da importância do diálogo por Valquíria Vieira - Dança e Diálogo CCSP-

Da importância do diálogo
Quando o artista abre seu processo criativo dá à obra a oportunidade de ganhar complexidade com o exercício de alteridade. O projeto #poéticasderesisitência vem se construindo do diálogo com os acontecimentos políticos do país e do encontro com o público nas ruas por meio do compartilhamento de experimentos ao longo do processo.
Poder compartilhar o processo de criação no Dança em Diálogo nos lança ao desafio de re-ver,  re-pensar, re-perguntar e  re-criar os procedimentos dramatúrgicos de #poéticasderesistência.
Em tempos de virtualidade, o encontro é um ato revolucionário; uma política de resistência e, nos dá a oportunidade de ver o que a obra move ou o que brilha no olhar ou mesmo o que incomoda. Novas perguntas surgem ou velhas perguntas ressurgem requerendo novas respostas. O importante é mover! Moveremos-nos diferentes agora!
Iniciativas como estas nos abre a perspectiva de a dança se pôr em diálogo, construindo plataformas de colaboração entre artistas e pesquisadores.


Grata pelo encontro!


Valquiria Vieira
Artista da Cia Corpocena


Foto: Patrícia Santos


sábado, 23 de abril de 2016

#poéticasderesistência- Dança e Diálogo - CCSP

Em fotos um pouco deste encontro...

A Cia Corpocena agradece a Cássia Navas e Andreia Thomioka pela criação deste espaço de troca e diálogo, a dança contemporânea só tende a se fortalecer quando se arrisca no exercício de escutatória.

Uma obra se faz destes diálogos em rede. 











Fotos Patrícia Santos

#poéticasderesistência - Dança em Diálogo - CCSP


CCSP Dança em Diálogo é um projeto idealizado pela Curadoria de Dança CCSP com Cássia Navas, especialmente para o Centro Cultural São Paulo. Tendo início em 2015, trata-se de uma proposta inovadora que surgiu da necessidade de um espaço aberto de diálogo e intercâmbio de informações - direcionados, considerando o passado, presente e futuro da cena da dança. Para 2016, realimentamos o projeto e seguimos em novo formato e prática, com a proposta: CCSP Dança em Diálogo 2016 – Crítica, Análise (e história): novos formatos. Serão encontros bimestrais, dezoito ao todo, em jornadas concentradas reunindo pesquisadores, plateias, artistas e interessados em ampliar o debate sobre a dança na cena contemporânea, abordando-se aspectos históricos e teóricos de sua constituição como campo das artes do espetáculo, a partir de um mapeamento inicial de seu “estado da arte”. Para tanto, propõe-se instrumentos para a análise crítica de obras modernas e contemporâneas, em estudo de sua estrutura e sentidos em relação a plateias, estudiosos e artistas. 

Com: Cássia Navas (professora-doutora do Instituto de Artes/Unicamp, graduada em Direito/USP, doutora em Comunicação e Semiótica/PUC-SP, pós-doutora em Artes/ECA-USP e especialista em gestão e políticas culturais)
quintas, das 17h30 às 20h30; sextas, das 18h30 às 20h30; e sábados, das 17h às 19h30 - 16 anos - Sala de Ensaio 1 (quintas e sábados) e Sala Adoniran Barbosa (sextas).






quarta-feira, 6 de abril de 2016

Sapatos Vermelhos ABC - Sobre parcerias artísticas e comunhão do feminino

Sapatos Vermelhos ABC- instalação da obra de Elina Chauvet (Juarez-México) com performance da Cia. As Marias  e Cia.Corpocena pelo olhar de Barbara Morais (Panamérica Filmes), que generosamente veio participar desse momento conosco. Muito Obrigada!
A perfomance aconteceu no dia 08 de março na Praça Santa Filomena, centro de SBCampo.










É de suma importância a realização de ações de resistência no dia Internacional da Mulher, não podemos esquecer que esta data tem relação com uma luta que ainda há muito o que avançar: A luta pelos direitos da mulher! Não podemos aceitar a imposição do mercado de consumo que quer vender produtos e acaba por reforçar a idéia de "mulher bibelô". A obra de Elina Chauvet nos provoca a tomar partido, a compartilhar de um luto que é de todas nós. 
A parceria entre as Cia. As Marias e Corpocena é fortalecida por questões comuns, pela criação de poéticas de resistência, concretizadas na performance "Sapatos Vermelhos" pelo ritual de busca e lamento, ações escolhidas pelas artistas para montar a instalação e, ao envolver o publico na angústia da procura, faz um convite à partilha dessa causa.


Valquíria Vieira, Atriz e Bailarina da Cia. Corpocena






Meu divino Espírito Santo                                
Divino consolador
Consolai a minha alma
Quando deste mundo eu for
Terezinha Terezinha 
Terezinha de Jesus
 
Na hora da sua morte
 
Terezinha acende a luz
  
Pela rua da amargura 
Sangue aqui escorreu
O céu se cobriu de luto
A filha de Deus morreu

Cada passo ajoelhava
Com seus bracinhos abertos
E vossa mãe lhe dizia

Filha chegue para perto

Não chore estrela, não chora
Que ainda hoje estou contigo
Só chores quando me vê

Nas ondas do mar perdido.

Somos nós, Patrícia, Cristiane, Valquíria, Cibele, Silmara, Cíntia, Tatiane, Bárbara, Maria... Marias, inúmeras mulheres de sapatos vermelhos.

E se um dia uma de minhas irmãs não voltar pra casa? E se eu não mais voltar?

Morrer pelo simples fato de ser mulher – Feminicídio.

Irmãs, irmãs, irmãs!

Eu ouço as suas vozes...

Eu hoje ganhei a minha própria voz e grito cantando.  

Sapatos vermelhos – um grito pelas filhas, irmãs, mães que não puderam voltar para casa.
Pelo direito de andar por qualquer parte, em qualquer hora do dia, com a roupa que eu quiser, sem ter de carregar pedra no bolso, arrastar pedaços de pau. Armas pra me defender de... Um possível ataque.

Choremos as mortes de milhares de mulheres, clamamos pelo direito de ir e vir, de ser o que somos. Gritamos por justiça e paz na cidade de Juarez, no Brasil e em todo mundo. Liberdade a nós mulheres.

Cibele Mateus, atriz e dançarina da Cia. As Marias













Terezinha de Jesus
Meu divino Espírito Santo
Divino consolador
Consolai a minha alma
Quando deste mundo eu for

Terezinha... Terezinha 
Terezinha de Jesus
 
Na hora da sua morte
 
Terezinha acende a luz

Sapatos Vermelhos para aquelas que vieram antes de nós e para aquelas que virão depois de nós.
Sapatos Vermelhos uma resposta ética e estética contra o feminicídio de mulheres na cidade de Juarez- México, criada pela artista plástica Elina Chauvet, esta obra tem percorrido o mundo como uma urgência para nossos tempos.
Fazer ecoar pelas ruas este canto visceral trazer a tonas estas vozes de mulheres que são violentadas cotidianamente, revelar as sutileza e grandezas da força do feminino.
Estes corpos espectrais percorrem as ruas da Marechal Deodoro em direção a Praça Santa Filomena neste dia 08/03/2016, provocando um encontro poético com o corpocidade, que ainda insiste em presentear as mulheres neste dia com flores esquecendo-se que é preciso uma mudança imagética e social para a preservação de nossa espécie.


Pela rua da amargura 
Sangue aqui escorreu
O céu se cobriu de luto
A filha de Deus morreu

Terezinha... Terezinha 
Terezinha de Jesus
 
Na hora da sua morte
 
Terezinha acende a luz
Poeticamente ocupamos este espaço...


Cada passo ajoelhava
Com seus bracinhos abertos
E vossa mãe lhe dizia
Filha chegue para perto

Terezinha... Terezinha 
Terezinha de Jesus
 
Na hora da sua morte
 
Terezinha acende a luz

E o universo simbólico é a morada de nossa resistência...

Não chore estrela, não chora
Que ainda hoje estou contigo
Só chores quando me vê
Nas ondas do mar perdido.

Terezinha... Terezinha 
Terezinha de Jesus
 
Na hora da sua morte
 
Terezinha acende a luz

Esta performance é para todas aquelas que vieram antes de nós e para todas aquelas que nascerão depois de nós...esta performance é para que estes novos fluxos de idéias e criações se fortaleçam, repliquem...esta performance é para que nenhuma mais passe por qualquer tipo de violência...esta performance é para que nosso CORPOALMA se REBELE sempre que for intimidada ou coagida por uma atitude machista...esta performance é um canto/convocação...é nossa poética de resistência...


Cristiane Santos, atriz e dançarina da Cia. As Marias e Cia.Corpocena













Fotos: Barbara Morais











segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Revista ASPAS

v. 5, n. 2 (2015): Dramaturgia e história do teatro no Brasil

Desenhos de Pesquisa

http://www.revistas.usp.br/aspas/article/view/99550
Reverberações dramatúrgicas: técnica Klauss Vianna–princípios mediadores do processo criativo
Valquiria Moura Vieira

domingo, 6 de dezembro de 2015

#poéticasderesistência
O que pode o corpo feminino?
Nós somos as netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar! Somos a resistência!
Os tempos são de luto! Luto por todos os atos de violência, declarados ou não.

Hoje
Concentração às 15h, em frente ao MASP

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015


Projeto Sobre Mulheres e Pássaros - Cia Corpocena
Ação nº 3: O levante das bruxas 
#poéticas de resistência#

O que pode o corpo feminino? 
Nós somos as netas das bruxas que vocês não conseguiram queimar! Somos a resistência! Somos milhares!
Os tempos são de luto! Luto por todos os atos de violência, declarados ou não. 
Precisamos evocar a força sagrada do feminino, evocar a memória de nossas ancestrais. Precisamos reverenciar todas aquelas que lutaram e lutam diariamente. 
Caminhemos juntas, em silêncio, cúmplices de uma mesma causa: os direitos das mulheres.
Para as que vieram antes nós e para aquelas que virão depois de nós…
Para que possamos resistir. Para que possamos inventar e habitar um outro mundo.
Para celebrar nossa polifonia , nossas divergências, nosso corpo, nossa potência poética…
À todas aquelas que não se calam. À todas aquelas que não se submetem.
Celebremos a potência feminina!

A proposta
Este é um procedimento estético para artistas e não artistas e a sua realização depende da colaboração e disponibilidade para seguir todas as instruções de composição. Desta maneira, poderemos formar um coro coeso.
Um cortejo de mulheres de todas as idades, de todos os credos, de todas as profissões, com filhos nos braços ou não. Um coro de mulheres caminhando em silêncio pelas ruas.
Reconheceremos-nos pelo traje preto. Escolhemos esta cor pelos muitos significados: preto da austeridade, do luto, a cor dos que se rebelam. Reconheceremos-nos também pelo olhar. Somos cúmplices de uma mesma causa!
Por que o silêncio?
Propomos o silêncio para construirmos uma escuta; para que possamos nos reconhecer em nossa pluralidade.
O silêncio para ampliar a percepção; para perceber nosso corpo, para podermos olhar demoradamente umas para as outras.
O silêncio para melhor refletirmos este encontro e seus significados simbólicos.
Propomos a comunhão da presença uma das outras, privilegiando a presença feminina em meio ao caos urbano.

Plano de Composição
Traje: Preto (vestidos ou saias)
Ponto de encontro: Em frente ao MASP (Av. Paulista)
Data 06 de dezembro de 2015.
Saída: pontualmente às 15h30
Trajeto: Av. Paulista/Rua Augusta/Praça Roosevelt.

Detalhamento das ações/Regras do jogo:
- Caminharemos juntas, lentamente e em silêncio.
- Faremos uma grande pausa, que se desenvolverá em cadeia, antes de virarmos para a Rua Augusta: as que estiverem para trás devem seguir as da frente, até que todas pausem e depois, devemos seguir umas as outras, até que todas sigam...
- Seguiremos caminhando devagar e em silêncio, até a Praça Roosevelt.
- A celebração (Praça Roosevelt): Ao adentrar a praça, caminhe por ela (sem se afastar das demais). Reconheça este espaço, olhe as outras mulheres nos olhos. Aos poucos, quando se sentir preparada, dance. Dance sua história, suas memórias, sua feminilidade, sua beleza (ela é exclusiva).
Celebre a potência do feminino! A potência que assusta, mas que também pode acolher. Celebre a possibilidade de afetar e ser afetada.
Vale também reverenciar a dança da outra. Experimente outros movimentos no seu corpo…
Dance até ficar satisfeita! Dance até que você escolha parar!